Como calcular a depreciação
O método mais simples de calcular a depreciação de um bem consiste na sua desvalorização, durante a sua vida útil, de forma constante. É o chamado método linear. A seguinte fórmula pode ser aplicada:
Onde:
Vi é o valor inicial do bem; ou seja, o valor pelo qual ele foi adquirido, ou até mesmo o seu valor atual.
Vf é valor final ou valor de sucata do bem; ou seja, ao término da vida útil, qual o seu valor? Tratando-se de uma máquina (trator, por exemplo), qual seria o valor pago pelo ferro velho? Esse valor, pago pelo ferro velho, seria o valor de sucata.
n é o número de períodos de vida útil estimada do bem. Caso tenha se considerado o valor atual, deverão ser considerado como vida útil os anos restantes (vida total menos anos já utilizados).
Vejamos um exemplo:
Como calcular a depreciação de um determinado implemento?
Vamos considerar que o produtor adquiriu esse implemento, que tem uma vida útil estimada em 5 anos, por R$2.000,00. Depois de 5 anos, esse implemento será vendido, como sucata, por R$100,00.
A depreciação será, então, calculada assim:
Depreciação = Vi – Vf
n
Ou seja, a depreciação anual do implemento comprado por R$2.000,00, cuja vida útil é de 5 anos, será de R$ 380,00. Esse valor deverá ser considerado no custo de produção.
Depreciação = 2.000,00 – 100,00 = 380,00
5
Custos Fixos e Variáveis na Agropecuária
Todas as despesas e gastos mensuráveis necessários para a produção agropecuária devem ser considerados na determinação do custo de produção.
A seguir, são relacionados os itens que compõem o custo de produção do gado de corte.
a. Mão-de-obra
Devem ser considerados os gastos com mão-de-obra contratada, encargos sociais, assistência (agronômica, contábil, veterinária, zootécnica), consultorias ocasionais, mão-de-obra eventual, mão-de-obra familiar, além de outras.
No caso da mão-de-obra familiar que trabalha na atividade e não recebe um salário, deve-se computar um valor correspondente ao de um trabalhador que desenvolveria a mesma função.
b. Alimentação
Devem ser considerados os gastos com todos os tipos de alimentos (grãos, farelos, aditivos, capineiras, pastagens, fenos, silagens, núcleos, suplementos, minerais, etc.)
c. Sanidade
São exemplos de itens que se enquadram neste grupo de despesa: água oxigenada, agulhas para aplicação de medicamentos, álcool, anestésicos, antibióticos, antiinflamatórios, antimastíticos, antitérmico, antitóxicos, bernicidas, carrapaticidas, cat gut, complexos vitamínicos e minerais, formol, hormônios, mata-bicheiras, vacinas, seringas, vermífugo e outros.
d. Insumos modernos
Consideram-se os gastos realizados pelos produtores na aquisição de sementes, fertilizantes e de defensivos, cujas quantidades variam em função das recomendações técnicas para cultura e de acordo com o nível de tecnologia adotado;
e. Reprodução
Devem ser considerados os gastos com sêmen e aplicador, bainhas, luvas, nitrogênio líquido e pipetas.
f. Impostos
Devem ser computados os impostos cujos valores independem da quantidade de carne produzida. Impostos como IPVA (Imposto de Propriedade de Veículos Automotores) e territorial rural (ITR) devem ser considerados.
g. Despesas Diversas
Como despesas diversas, deverão ser registrados os itens que não se enquadram nos grupos acima. Como exemplo, podem-se citar: brincos (identificação), combustível, contribuição rural, material de escritório, encargos financeiros (juros), energia elétrica, frete / carreto, horas de trator, alguns impostos que variam em função da quantidade de carne produzida
(PIS, COFINS, IRPJ,…), lubrificantes, materiais de limpeza, reparo e manutenção (de benfeitorias, de equipamentos, de máquinas e de veículos), taxas (associação de produtores, por exemplo).
h. Depreciação
A depreciação é o custo necessário para substituir os bens quando esses se tornam inúteis pelo desgaste físico ou obsoletismo. Representa a reserva em dinheiro que a empresa faz durante o período de vida útil provável do bem (benfeitorias, animais destinados à reprodução e serviços, máquinas, implementos, equipamentos etc.), para sua posterior substituição.
A depreciação é usada para estimar a perda de valor de todo bem com vida útil superior a um ciclo produtivo. Somente têm depreciação os bens que possuem vida útil limitada; portanto, a terra não tem depreciação.
Custos e Despesas na Agropecuária
Acreditamos ser oportuno um rápido comentário sobre a diferença entre custo da cultura e a despesa do período para a atividade agrícola.
Por convenção, e para facilitar a comunicação deste assunto, consideram-se “custos de cultura” todos os gastos identificáveis direta ou indiretamente com a cultura (ou produto), com sementes, adubos, serviços, etc.
Como despesa do período entendem-se todos os gastos não identificáveis com a cultura, não sendo, portanto, acumulados no estoque (culturas temporárias), mas apropriados como despesas do período. São as despesas de venda (propaganda, comissão de vendedores) despesas administrativas (honorários dos diretores, pessoal de escritório) e despesas financeiras (juros, multas…).
i.CUSTO DE ARMAZENAGEM
Quando o produto agrícola estiver pronto para a venda, totalmente acabado, não devendo sofrer mais nenhuma alteração, é comum, em alguns casos, armazená-lo, no sentido de vendê-lo em momento oportuno, esperando-se o preço oscilar para cima.
Estes gastos são normalmente tratados como Despesas de Vendas, no grupo Despesa Operacional, e não como Custo do Produto. Dessa forma, são considerados custos do período e não do produto.
ii.CULTURAS PERMANENTES
São aquelas que permanecem vinculadas ao solo e proporcionam mais de uma colheita ou produção. Normalmente atribui-se às culturas permanentes uma duração mínima de quatro anos. Do nosso ponto de vista basta apenas à cultura durar mais de um ano e propiciar mais de uma colheita para ser permanente. Exemplos: Cana-de-açúcar, citricultura (laranjeira, limoeiro…), cafeicultura, silvicultura (essências florestais, plantações arbóraceas), oleicultura (oliveira), praticamente todas as frutas arbóraceas (maça, pêra, jaca, jabuticaba, goiaba, uva…).
No caso de cultura permanente, os custos necessários para a formação da cultura serão considerados bens permanente da empresa – Imobilizado. Os principais custos são: adubação, formicidas, forragem, fungicidas, herbicidas, mão de obra avulsa e técnica, encargos sociais, arrendamento de equipamento, terras, seguro, preparo do solo, sementes, mudas, irrigação, químicos, depreciação equipamento etc.
É importante ressaltar que as despesas administrativas, de vendas e financeiras não compõem o gasto de formação da cultura, mas são apropriadas diretamente como “despesa do período” e não são, portanto, ativadas.
iii.CULTURAS TEMPORÁRIAS
Culturas temporárias são aquelas sujeitas ao replantio após a colheita. Normalmente, o período de vida é curto. Após a colheita, são arrancadas do solo para que seja realizado novo plantio. Exemplos: soja, milho, trigo, arroz, feijão, batata, amendoim, girassol, legumes etc. Esse tipo de cultura é também conhecido como anual.
Esses produtos são bens circulantes, como se fossem um “Estoque de Andamento” em uma indústria. Os custos que compõem estas culturas são: sementes, fertilizantes, mudas, demarcações, mão de Obra, encargos diversos, energia elétrica, combustível, seguros, serviços profissionais, defensivos agrícolas, depreciação e outros imobilizados na cultura em apreço.
Outra forma de controlar estes custos do plantio é relacionar como despesas, cada cultura e através de sub-contas (sub-itens), alocar as despesas decorrentes da semeadura até a colheita, incluindo o transporte até o local de armazenagem, quando então se fará o zeramento das sub-contas relativos a estes investimentos e cujos valores serão lançados na conta “Estoque da colheita temporária”.
Esta forma permite que o administrador mensalmente visualize os gastos despendidos até a data, analisando somente as Receitas e Despesas, desta forma podendo fazer provisões futuras de gastos a fim determinar sua venda futura em relação a seus desembolsos presentes.
Quando ocorrer simultaneamente o plantio de diversas culturas, deverá ser feito o rastreamento dos gastos na proporção para cada cultura, como: equipamentos, mão de obra avulsa ou técnica, despesas de manutenção das máquinas e das lavouras, a fim de determinar os custos para cada uma na percentagem de utilização, com o fim de não distorcer os custos e o conseqüente desmotivação de plantar determinada semente, pois somente gera prejuízo.
Controles Econômicos dos Custos Agropecuários
Para entendermos melhor como realizar o controle econômico dos custos de nossa empresa rural, é necessário inicialmente classificarmos as principais modalidades de entradas e gastos existentes, para que posteriormente seja possível calcular separadamente e finalmente avaliar o resultado econômico.
RECEITA: A receita representa o resultado da atividade gado de corte em valores monetários, sendo, portanto, a multiplicação do preço de mercado da arroba pela quantidade produzida.
Em muitas atividades agrícolas, o processo de produção produz vários produtos. Nesse caso, a receita representa o valor correspondente ao produto principal e dos demais produtos ou até mesmo subprodutos.
Todas as receitas da atividade devem ser consideradas. Em se tratando da atividade gado de corte, as receitas são provenientes da venda dos animais e do esterco produzido por eles.
CUSTO: correspondem aos valores gastos com a produção de produtos, envolvendo também gastos com a criação de animais e cultivo de culturas temporárias e permanentes.
DESPESA: são valores gastos com a comercialização e administração das atividades empresariais (rurais). Normalmente, são gastos mensais.
INVESTIMENTO: são valores aplicados na aquisição de bens utilizados nas atividades empresariais por vários períodos. Exemplos: equipamentos, veículos, culturas permanentes, gado reprodutor…etc.
PERDAS EXTRAORDINÁRIAS: são aquelas decorrentes de incêndios, geadas, inundação, granizo, tempestades, secas, doenças e outros eventos desta natureza.
Modelo de Balanço para Controle Financeiro Pessoal
Podemos elaborar também um balanço pessoal dos bens e direitos e das obrigações circulantes no período de um ano.
|
1.1. Demonstração Financeira Pessoal |
|
||
|
Ativo |
R$ |
Passivo |
R$ |
|
Caixa |
|
Saldo a pagar/compra em loja |
|
|
Poupança |
|
Saldo Devedor Imóvel |
|
|
Automóveis |
|
Saldo Devedor Carro |
|
|
Imóvel Próprio |
|
Dívidas Cheque especial |
|
|
Outros imóveis /terrenos |
|
Dívidas cartão de crédito |
|
|
Outros investimentos |
|
Dívidas com financeira |
|
|
Seguros a receber |
|
Dívidas crédito direto banco |
|
|
Empréstimos a receber |
|
Dívidas com familiares |
|
|
|
|
Dívidas com amigos |
|
|
Total Ativo (A) |
0,00 |
Total Passivo (B) |
0,00 |
|
|
|
Saldo Final: (A) – (B) |
0,00 |
Modelo de Fluxo de Caixa Pessoal
Como exemplo relacionamos logo abaixo os itens que compõe o fluxo de caixa do proprietário ou pessoa física, classificando a receita ou renda pessoal e suas respectivas despesas pessoais.
|
Projeção de Resultados Pessoais atuais e para os próximos 12 meses |
|||
|
Item |
Receita |
Receita |
Receita |
|
Renda |
Mensal R$ |
Esporádica R$ |
Anual R$ |
|
Salário líquido |
|
|
|
|
Férias |
|
|
|
|
13o. Salário |
|
|
|
|
Prêmio |
|
|
|
|
Pensão |
|
|
|
|
Aposentadoria |
|
|
|
|
Renda de aluguel |
|
|
|
|
Outras |
|
|
|
|
Total de Renda |
|
|
|
Em seguida serão expostas as principais despesas pessoais para que seja possível entender melhor a diferença entre as despesas pessoais e da empresa.
Entendemos que desta forma o controle financeiro pessoal deve ser a parte e tanto as despesas pessoais como da família devem ser controladas a parte, nestes relatórios que se seguem:
|
Item |
Despesa |
Despesa |
Despesa |
|
Despesas Moradia (resid.) |
Mensal R$ |
Esporádica R$ |
Anual R$ |
|
Aluguel ou prestação |
|
|
|
|
Obra/manutenção |
|
|
|
|
Despesas com Transporte. |
Mensal R$ |
Esporádica R$ |
Anual R$ |
|
Ônibus e metrô (extra c/ch) |
|
|
|
|
Combustível |
|
|
|
|
Mecânica / consertos |
|
|
|
|
Despesas com Educação |
Mensal R$ |
Esporádica R$ |
Anual R$ |
|
Mensalidade Escolar |
|
|
|
|
Cursos (inglês, computador) |
|
|
|
|
Livros e material escolar |
|
|
|
|
Despesas Pessoais |
Mensal R$ |
Esporádica R$ |
Anual R$ |
|
Roupas/calçados/acessórios |
|
|
|
|
Cigarro/charuto |
|
|
|
|
Cabeleireiro |
|
|
|
|
Despesas com Saúde |
Mensal R$ |
Esporádica R$ |
Anual R$ |
|
Plano de Saúde |
|
|
|
|
Médicos sem reembolso |
|
|
|
|
Dentista |
|
|
|
|
Despesas Lazer |
Mensal R$ |
Esporádica R$ |
Anual R$ |
|
Passeios |
|
|
|
|
Restaurante/lanchonete |
|
|
|
|
Hobbies (jogo, diversões) |
|
|
|
|
9. Dívidas/prestações/IR |
Mensal R$ |
Esporádica R$ |
Anual R$ |
|
Juros do cheque especial |
|
|
|
|
Prestação da financeira |
|
|
|
|
Prest. Empréstimo bancário |
|
|
|
|
Total Despesas Gerais |
|
|
|
|
|
|
|
|
|
Fluxo de Caixa |
|
|
|
|
Renda – Despesa |
|
|
|
Modelo de Fluxo de Caixa Mensal
Segue agora o modelo de fluxo de caixa mensal:
|
FLUXO DE CAIXA |
SEMANA 1 |
SEMANA 2 |
SEMANA 3 |
|||
|
PREVISÕES |
PREVISTO |
REALIZADO |
PREVISTO |
REALIZADO |
PREVISTO |
REALIZADO |
|
SALDO INICIAL |
|
|
|
|
|
|
|
ENTRADAS |
|
|
|
|
|
|
|
VENDA A VISTA |
|
|
|
|
|
|
|
RECEBIMENTO A PRAZO |
|
|
|
|
|
|
|
RESGADE DE APLICAÇÃO |
|
|
|
|
|
|
|
TOTAL ENTRADA |
|
|
|
|
|
|
|
SAIDA |
|
|
|
|
|
|
|
FORNECEDORES |
|
|
|
|
|
|
|
PESSSOAL |
|
|
|
|
|
|
|
ENCARGOS SOCIAIS |
|
|
|
|
|
|
|
MATERIAL DE CONSUMO |
|
|
|
|
|
|
|
TOTAL SAÍDAS |
|
|
|
|
|
|
|
SALDO ATUAL |
|
|
|
|
|
|
|
SALDO ANTERIOR |
|
|
|
|
|
|
Caso a tabela não carregue corretamente, temos também a versão imagem do modelo de fluxo de caixa mensal.
Modelo de Fluxo de Caixa Diário
Segue modelo de fluxo de caixa diário:
|
FLUXO DE CAIXA |
SEGUNDA |
TERÇA |
QUARTA |
|||
|
PREVISÕES |
PREVISTO |
REALIZADO |
PREVISTO |
REALIZADO |
PREVISTO |
REALIZADO |
|
SALDO INICIAL |
|
|
|
|
|
|
|
ENTRADAS |
|
|
|
|
|
|
|
VENDA A VISTA |
|
|
|
|
|
|
|
RECEBIMENTO A PRAZO |
|
|
|
|
|
|
|
RESGADE DE APLICAÇÃO |
|
|
|
|
|
|
|
TOTAL ENTRADA |
|
|
|
|
|
|
|
SAIDA |
|
|
|
|
|
|
|
FORNECEDORES |
|
|
|
|
|
|
|
PESSSOAL |
|
|
|
|
|
|
|
ENCARGOS SOCIAIS |
|
|
|
|
|
|
|
VALE TRANSPORTE |
|
|
|
|
|
|
|
ALUGUEL |
|
|
|
|
|
|
|
HONORÁRIOS |
|
|
|
|
|
|
|
PRÓ-LABORE |
|
|
|
|
|
|
|
FRETES |
|
|
|
|
|
|
|
IMPOSTOS |
|
|
|
|
|
|
|
MATERIAL DE CONSUMO |
|
|
|
|
|
|
|
AQUA/LUZ |
|
|
|
|
|
|
|
TELEFONE |
|
|
|
|
|
|
|
PUBLICIDADE |
|
|
|
|
|
|
|
VALE EMPREGADOS |
|
|
|
|
|
|
|
INVESTIMENTOS |
|
|
|
|
|
|
|
TOTAL SAÍDAS |
|
|
|
|
|
|
|
SALDO ATUAL |
|
|
|
|
|
|
|
SALDO ANTERIOR |
|
|
|
|
|
|
Caso a tabela não carregue corretamente, temos também a versão imagem do modelo de fluxo de caixa diário.
Tabelas para controlar Fluxo de Caixa
Nas tabelas que se seguem foram adotados o período diário como exemplo principal, podendo também como exemplo mais apurado realizar o controle semanal.
Para entendermos melhor sua composição, esclarecemos logo abaixo, cada item do fluxo de caixa:
Saldo Inicial: é o valor constante no caixa no início do período considerado para a elaboração do Fluxo. É composto pelo dinheiro na “gaveta” mais os saldos bancários disponíveis para saque.
Entradas de Caixa: correspondem às vendas realizadas à vista, bem como a outros recebimentos, tais como duplicatas, cheques pré-datados, faturas de cartão de crédito etc., disponíveis como “dinheiro” na respectiva data.
Saídas de Caixa: correspondem a pagamentos de fornecedores, pró-labore (retiradas dos sócios), aluguéis, impostos, folha de pagamento, água, luz, telefone e outros, entre eles alguns descritos em nosso modelo.
Saldo Operacional: representa o valor obtido de entradas menos as saídas de caixa na respectiva data. Possibilita avaliar como se comportam seus recebimentos e gastos periodicamente, sem a influência dos saldos de caixa anteriores.
Saldo Final de Caixa: representa o valor obtido da soma do Saldo Inicial com o Saldo Operacional. Permite constatar a real sobra ou falta de dinheiro em seu negócio no período considerado e passa a ser o Saldo Inicial do próximo período.

