Considerações de Márcio Noronha sobre Money Management

Categoria: Análise Técnica | 28.09.2008 | sem comentários



As partes deste texto foram retiradas do tópico “Considerações Finais” do Curso Completo de Investimento de Márcio Noronha, e achei que é uma visão bem lúcida sobre o investimento no mercado. Conheço muitas pessoas que não conseguem compreender este conceito, e ainda acreditam na análise técnica como uma ferramenta de previsão.

 

“Em 1986, após vender a minha participação societária na ultima corretora em que trabalhei, decidi me dedicar totalmente ao aprendizado da análise técnica como uma forma de sobrevivência independente.

 

Porém, na medida em que ia absorvendo novos conhecimentos e colocando-os em prática, meu patrimônio diminuía. Era frustrante! Esta frustração atingiu seu clímax por volta de 1990, quando concluí que, por diversas razões, não sabia operar e decidi criar um sistema mecânico que fizesse isto por mim. Mas, decorridos um ano meio, verifiquei que foi mais uma tentativa inútil.

 

Não possuía uma estrutura emocional que se sujeitasse aos caprichos do sistema e, como em outras experiências, acabei abandonando, sentindo-me novamente derrotado. Embora tivesse convicção de que poderia viver do mercado, não conseguia ver a luz no fim do túnel.

 

Embora em 1986 já tivesse traduzido, estudado e editado o livro ‘Timing …’ do Granville, cuja frase de abertura é “O mercado de ações é um jogo”, não estava convencido disso. Na verdade, todos os meus estudos estavam orientados para tentar antecipar os movimentos futuros do mercado. Apenas quando li a Teoria de Adam, pude me dar conta da verdade embutida na afirmação do Granville. Ali, ao perceber que para se projetar o futuro, bastava rebater o passado, e como aquilo funcionava, me dei conta do quanto ele tinha razão.

 

A partir de então, comecei a ver o mercado de um modo diferente. A palavra chave foi rendição. Render-me à minha ignorância em tentar antecipar seus movimentos para deixar-me levar por eles.

 

No início não foi fácil aceitar plenamente que a maior parte do que havia aprendido durante anos fosse de pouca ou quase nenhuma utilidade. É difícil abandonara uma crença! Mas, nada como o tempo para trazer a realidade à tona. Pouco a pouco, comecei a acertar mais do que errar e a confiança de que estava no caminho certo foi crescendo.

 

Dos erros e acertos, fui desenvolvendo uma metodologia operacional própria, ajustada ao meu temperamento e às minhas necessidades.” 

 

“… (para) aumentar sua cultura técnica, mas para a metodologia, seu significado não representa nada.”

 

“… deixando de fora as notícias e outras fontes de informações e encarando o mercado como um jogo, fica bem mais fácil concentrar sua atenção naquilo que interessa e desviar sua atenção de fatos que nada têm a ver com a direção do mercado.

 

Este enfoque facilita tremendamente a aplicação dos estopes de entrada e protetores, desde que tenha realmente se convencido que o mercado é um jogo, pois é preciso que esteja consciente de que ao iniciar uma operação não sabe o que acontecerá com ela.”

 

“… com um bom método, o mercado pode ser vencido de forma sistemática.”

 

“Recentemente li um livro denominado ‘Market Wizards’, cujo conteúdo é uma série de entrevistas com traders extremamente bem-sucedidos do mercado americano, onde cada um deles revela sua metodologia operacional. Percebe-se, então, que não existe um método melhor ou pior do que outro, pois todos os entrevistados são profissionais que atingiram um enorme sucesso nas suas carreiras e cada um deles chegou lá por caminhos totalmente diferentes.

 

Qualquer que tenha sido o caminho de cada um, todos tinham duas coisas em comum: o uso disciplinado de uma metodologia operacional acompanhado de um rígido controle de risco.

 

Comparando com um jogo de pôquer, embora estivessem sentados na mesa, não apostavam em todas as mãos. Só o faziam quando a mão se adequava à sua metodologia de jogo. Foi mais ou menos isto o que pretendi fazer ao realizar este curso pioneiro onde a técnica da Simetria Sanfonada foi colocada no papel e tomou forma operacional.”

 

Márcio Noronha, com partes do texto selecionadas por Kenneth Corrêa



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