Os Fundos de Investimento



Esta matéria foi publicada no Jornal Santa Fé, edição de Janeiro de 2007.

É unânime! Todos os jornais internacionais, bancos de investimentos e corretoras de valores afirmam que, ao final de 2007, a taxa de juros referencial do país (SELIC), estará nos patamares de 12%. Mas o que isto significa para você? Se você leu o artigo da última edição, espero que esteja pelo menos um passo mais próximo de se tornar parte do seleto grupo de brasileiros que já conseguem fazer sobrar uma parte de seu salário ao final do mês.
Mensalmente o COPOM (Comitê de Política Monetária do Banco Central) se reúne para discutir e definir o patamar da taxa de juros. Desde março de 2003, quando a SELIC estava cotada a 26%, houve uma queda significativa, até a decisão da última reunião, em 29/11/2006, onde a taxa foi reduzida para 13,25%, uma queda de quase 50% do valor no período.

Mas o que exatamente é a SELIC? Quando usamos a sigla estamos nos referindo à Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia, mas na prática é a taxa utilizada como parâmetro para investimentos em títulos federais no Brasil. A taxa SELIC serve de parâmetro para o retorno da poupança, por exemplo, onde em 2003 ela teve um rendimento de 11,10% no ano, e em 2006 teve 8,30% de rentabilidade anual.
Para você, investidor pessoa física, o que significa esta conversa e estes números todos? Que a poupança, que já não era uma boa opção de investimento, está perdendo seu lugar cada vez mais, e a opção de investimento acessível para qualquer brasileiro agora são os fundos de investimento. Um fundo de investimento é um condomínio que reúne recursos de vários investidores, com o objetivo de obter ganhos financeiros a partir da aquisição de um conjunto de títulos ou valores mobiliários.

Hoje em dia todos os bancos possuem opções de fundos de investimento para seus clientes. Qualquer um, com uma aplicação inicial de até R$ 30,00 pode investir em um fundo. Isto pode inclusive ser feito através da Internet, utilizando seu sistema de Home Banking. No entanto, se você conversar com seu gerente de banco, ele irá apresentar diversas opções de investimento, provavelmente tentando vender o fundo que o ajudará a cumprir a meta dele com o superintendente da agência, e não exatamente a sua meta. Para os vários tipos de investidores, e suas condições financeiras, existem diferentes tipos de fundos de investimento. Iremos apresentar agora os principais tipos de fundos:

  • Curto Prazo: investem em títulos de renda fixa, e sua rentabilidade está atrelada à taxa de juros utilizada nas operações entre os bancos (SELIC). São considerados os mais conservadores pelo fato dos títulos de suas carteiras possuírem um prazo mais curto.
  • DI: você provavelmente já deve ter ouvido falar neles, que são os preferidos por muitos investidores brasileiros. Sabe por quê? Porque sua rentabilidade segue a variação diária das taxas de juros (SELIC), e este tipo de fundo tende a render mais cada vez que ocorre uma alta das taxas de juros domésticas (o que não vem acontecendo desde 2003). Os fundos DI aplicam a maior parte do seu patrimônio em títulos do governo federal e são considerados de baixo risco.
  • Renda Fixa: estes fundos aplicam uma parcela de seu patrimônio em títulos pré-fixados. Estes títulos rendem uma taxa fixa previamente acordada. O que acontece com os fundos de renda fixa é justamente o oposto dos fundos DI. Das opções conservadoras citadas acima, estes fundos têm tido o melhor desempenho nos últimos 4 anos.
  • Multimercados: estes fundos combinam investimentos em ativos de renda fixa, câmbio e ações além de utilizarem derivativos (ferramentas financeiras mais complexas). Procuram as melhores oportunidades destes diferentes mercados para obter maior rentabilidade, por isso são fundos que já possuem certa abertura ao risco. Devido à flexibilidade, dependem do talento do gestor na escolha do melhor momento de alocar os recursos do fundo em cada um destes mercados.
  • Ações: são fundos que investem seus recursos em ações negociadas em bolsa de valores. Dessa forma, estão sujeitos às oscilações de preços das ações que compõem sua carteira. Devido a essas variações e ao risco, são mais indicadas para quem tem objetivos de investimento de longo prazo, até porque o risco, neste caso, é bem maior do que nos fundos conservadores.

Se você já conseguiu dar o primeiro passo e sobrar algum dinheiro no final do mês, os fundos de investimento são uma ótima ferramenta, simples e eficiente, que vem conquistando cada vez mais uma parcela do salário do brasileiro. Na próxima edição estaremos falando um pouco mais sobre a compra e venda de ações, uma modalidade para o investidor que gosta de mais risco, e que já tem um pouco mais de dinheiro para investir.



Uma Comentário

  1. Ainda não li nenhum post inteiro, mas olhando os temas abordados e a qualidade da informação repassada… só queria dizer que vc(s) está(estão) de parabéns!

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