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Estratégias de Segmentação de Mercado

Assim que foram levantados os diferentes segmentos em que se pode atuar, o próximo passo visa definir qual será o posicionamento em relação a cada um, e com que intensidade estes serão explorados.
Para facilitar a compreensão, optou-se por elaborar a figura abaixo, que representa, para fins didáticos, nove diferentes segmentos, a partir de diferentes critérios, cada um representado por um símbolo diferente.

Segmentos de Mercado

Figura 13 – Segmentos de Mercado
Fonte: Kenneth Corrêa, 2007

Nos próximos tópicos, serão abordadas três estratégias de segmentação, que dizem respeito a como a empresa lida com os segmentos, após uma pesquisa e levantamento dos variados segmentos.
Serão abordados os temas de penetração e ocupação de mercado. Dias (2004) explica que penetrar em algum mercado significa estar presente nele, mesmo que de maneira pouco representativa, com uma pequena participação de mercado. Já a ocupação de mercado significa ter uma posição forte em um determinado mercado, significativa em termos de participação (fatia de mercado).

Tipos de Segmentação de Mercado

A segmentação usa sempre a pesquisa de mercado como ferramenta de seleção. Assim, é possível que se identifique, a partir de uma série de critérios, diferentes segmentos.
Dias (2004) afirma que, dado que a segmentação de mercado é fundamental para o desenvolvimento de estratégias, quanto mais se investir na pesquisa para o processo de segmentação, melhores os resultados operacionais obtidos.
Serão listados agora alguns dos principais critérios utilizados para a segmentação de mercado, embora seja importante lembrar que existem diversos critérios que podem ser utilizados, de acordo com as necessidades de cada organização.

Segmentação Demográfica

A demografia estuda estatisticamente as populações e suas características. Assim, a segmentação demográfica significa dividir os mercados com base nestas características da população (DIAS, 2004).
Algumas destas variáveis podem ser: faixa etária, sexo, tamanho médio das famílias, estado civil, nacionalidade, religião, raça, entre outras.
Devido principalmente à pesquisa do Censo, realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), grande parte destas informações e sua quantificação pode ser obtida através do site http://www.ibge.gov.br.

Segmentação Socioeconômica

A segmentação socioeconômica é a divisão do mercado bom sabe em características sociais e econômicas da população. Seu objetivo é identificar variáveis como: classe social, renda, escolaridade, profissão, posses de bens (veículos, imóveis), entre outros (DIAS, 2004).

Segmentação Geográfica

Para Dias (2004), não há como se realizar um bom trabalho de segmentação de mercado, se não se considerar o critério geográfico.
Segundo Weiss (1988) citado por Dias (2004), “o lugar em que se vive determina a maneira como se vive. Conhecendo onde e como as pessoas vivem, fica mais fácil atender às suas necessidades, com mais chance de sucesso nessa empreitada”. Para Dias (2004), o local onde as pessoas moram, trabalham ou passam as férias tem grande impacto sobre seu comportamento de compras.
Os critérios da segmentação geográfica podem ser: países, Estados, bairros, CEPs e até ruas.

Vantagens da Segmentação de Mercado

Dias (2004) define algumas das vantagens de se realizar a segmentação de mercado, que irão facilitar a compreensão dos benefícios das estratégias de segmentação. Quando se realiza a segmentação, a empresa consegue melhores informações, por estar mais próxima dos diferentes perfis de cliente. É mais fácil também entender cada um dos diferentes segmentos (conforme descrito nas duas histórias anteriores).
A vantagem mais importante é que, conhecendo melhor seu cliente, você poderá serví-lo melhor. Quanto mais detalhado o conhecimento, melhor será o ajuste das variáveis empresariais, e melhor suas estratégias de divulgação, posicionamento de produto e financeiras.
Outra vantagem é que, conhecendo e agrupando seus clientes, será mais fácil contá-los. Então, a segmentação de mercado acaba sendo um pré-requisito fundamental para a quantificação de mercado.
Por último, conhecendo as características dos diferentes grupos de clientes-alvo, seus costumes e hábitos, Dias (2004) afirma que melhor é a comunicação com eles, dado que, conhecendo seus hábitos de consumo, maiores as chances de se aproveitar melhor os recursos da divulgação.

Segmentação de Mercado – Caso do Molho de Macarrão

Outro caso, menos famoso, mas tão elucidativo quanto este, envolve a história do setor de molhos de macarrão nos Estados Unidos. Malcolm Gladwell, autor do recente “The Tipping Point” (O Ponto de Desequilíbrio), best-seller no New York Times, jornal norte-americano de maior circulação no mundo, conta a história de Howard Moskowitz, pesquisador de Harvard, que introduziu no mercado o conceito de segmentação. Esta apresentação foi realizada no evento TED (Technology, Entertainment, Design – http://www.ted.com) em Fevereiro de 2004, em Monterey, Califórnia, EUA.
Moskowitz, em seus estudos de psicologia na universidade de Harvard, costumava realizar pesquisas de marketing com o público-alvo de diversas empresas norte- americanas, e na década de 70 foi contratado pela Pepsi para realizar uma pesquisa buscando identificar o nível mais adequado de açúcar na fórmula do refrigerante. A Pepsi sabia que o nível adequado estava entre 8 e 12 mg de açúcar por ml de água.
Desenvolveu então um experimento que já estava acostumado a fazer, com diferentes quantidades de açúcar em vários recipientes diferentes, pediu para uma grande amostra de pessoas identificasse qual a amostra que mais gostaram. Moskowitz esperava, ao final do experimento, observar um gráfico como este:

Distribuição Normal

Figura 11 – Distribuição Normal
Fonte: o autor, 2007

Esta é a curva normal, uma curva que representa a distribuição estatística mais comum, encontrada em vários padrões. Na pesquisa de mercado, quando se define um público-alvo, normalmente encontra-se um gráfico deste, que indica que em média 68% dos clientes possuem um padrão de comportamento em comum, e o restante está distribuído com gostos diferentes.
Grande parte dos processos de planejamento quando abordam atender às necessidades dos clientes, partem para identificar a média (ou público-alvo), e desenvolvem seus produtos voltados à esta maioria, deixando teoricamente, 32% dos clientes sem ter suas necessidades atendidas.
Mas no caso desta pesquisa para a Pepsi, Moskowitz encontrou um padrão com o qual ele não estava acostumado, o gráfico dele era mais ou menos assim:

Distribuição de Moskowitz

Figura 12 – Distribuição da pesquisa de Moskowitz
Fonte: o autor, 2007

Isto representava algo totalmente diferente do que Howard estava acostumado, pois a distribuição de respostas não indicou uma, mas três níveis em que uma grande parte dos consumidores estava interessada por determinado volume de açúcar/ml.
Como a pesquisa não indicou um limite médio que atendesse às expectativas da maior parcela dos consumidores, a empresa de Howard respondeu para a Pepsi então que ela deveria colocar 10 mg de açúcar por ml (exatamente a média entre 8 e 12).
Mesmo milhares de dólares depois, Moskowitz não ficou satisfeito com o resultado da pesquisa, e aquele pensamento passou a incomodá-lo, dia após dia. Certo tempo depois, ele estava na estrada, do outro lado do país, quando de repente, a resposta veio a sua cabeça: “Nós estávamos procurando a Pepsi perfeita. Deveríamos estar procurando as Pepsis perfeitas”.

Então ele rodou o país todo dando palestra e dizendo que eles erraram procurando a Pepsi perfeita, mas deviam na verdade ter procurado as Pepsis perfeitas. Pode ser que a idéia não tenha ficado clara somente com este caso, e até agora não falamos sobre o objeto de estudo deste caso, que é o molho de tomate.
Após a realização desta pesquisa inicial, a empresa de consultoria de Howard foi contratada novamente, mas agora pela empresa Prego, que disputava o mercado americano com a Ragú.
A Prego procurou Moskowitz, pois gostaria de encontrar o molho de tomate perfeito. E Moskowitz, como um bom cientista, explicou que eles deveriam perder este conceito platônico de molho de tomate, de que existe um molho de tomate perfeito, mas que na verdade eles deveriam procurar pelos molhos de tomate perfeitos.
Após uma boa rodada de filosofia e convencimento, a marca Harvard por trás do nome de Howard, que a propósito, é uma figura baixinha, gordinha e de óculos, acabou sendo crucial.
Ao realizar esta nova pesquisa, Howard enumerou então mais de 20 misturas distintas de molho de tomate: mais apimentado, menos “grosso”, com pedaços sólidos, e por aí vai. Ele fez então uma série de compotas diferentes, e pediu que a grande amostra desse uma pontuação agora, para cada uma das que experimentassem, e que também fizessem comentários associados a cada uma das amostras.
Assim, ao final da pesquisa ele possuía uma série de gráficos como o anterior, onde ele identificou também três grupos distintos de consumidores: o primeiro, que representava 26% dos entrevistados, eram os que gostavam do molho bem fino, quase que aguado, apenas para dar um leve gosto ao macarrão. Outros 34% (o segundo grupo) eram os que preferiam o molho mais apimentado, para dar gosto ao macarrão. O terceiro grupo (com 24% dos clientes) eram os que preferiam o molho mais consistente, com pedaços sólidos, para “dar sustância” à comida.
O conceito de segmentação seria exatamente trabalhar estes diferentes perfis de consumidor, criando 3 tipos de produtos diferentes, que atendessem aos três perfis de clientes. Assim, estariam sendo atendidos 84% dos consumidores, ao invés dos 68% originais, sem utilizar a segmentação.
Hoje, quando se visita qualquer supermercado norte-americano, encontra-se nada menos do que 35 tipos diferentes de molhos, com temperos diferentes, buscando atender algo próximo de 100% dos diferentes perfis de clientes. A segmentação hoje é parte integrantes dos estudos de marketing, mas muitas empresas ainda insistem na ilusão de um produto único, que vá atender às necessidades de todos.

Segmentação de Mercado – Caso Henry Ford

Uma das histórias mais antigas e sempre lembrada quando se aborda a segmentação de mercado, está ligada ao pai da indústria automobilística moderna, Henry Ford. A empresa de Ford desenvolveu o modelo “Ford T” como um carro destinado a satisfazer qualquer pessoa.
Nesta época, Alfred Sloan Jr., na General Motors, entrou no mercado após a Ford, pedindo que seus engenheiros criassem vários modelos de carros, cada um projetado para satisfazer as necessidades e gostos de um grupo diferente de clientes. Esta estratégia, segundo Churchill (2000), ajudou a GM a se tornar a maior empresa do mundo.
Quando a Ford viu a GM surgir com vários modelos diferentes, um dos diretores de Ford resolveu dizer ao Sr. Henry Ford: “A GM está crescendo em vendas, começando a se tornar um incômodo. Será que a Ford não poderia produzir carros diferentes, de outras cores, para atingir públicos diferentes?”.
E a célebre resposta de Henry Ford foi: “Podemos produzir carros de qualquer cor, contanto que sejam da cor preta”. Esta postura mostra uma falta de orientação para o mercado, e a não percepção do conceito de que existem públicos diferentes com gostos diferentes.

Segmentação de Mercado

Churchill (2000) define a segmentação de mercado como sendo o processo de dividir o mercado total em partes relativamente homogêneas. Com base na definição dos segmentos, a organização pode definir quais vai servir, e como irá atender àqueles consumidores específicos.
Já Kotler (1998) diz que a segmentação é a ação de identificar e classificar grupos distintos de compradores que podem exigir produtos com características diferentes.
Serão apresentados a seguir dois casos que representam a importância da segmentação de mercado para qualquer processo de planejamento estratégico.

Objetivos Estratégicos

Os objetivos são os resultados que a organização pretende atingir. Algumas empresas utilizam os objetivos como base de seu planejamento estratégico, para depois pensar nas estratégias específicas.
Os objetivos, que podem ser enunciados como alvos bastante precisos, focalizam indicadores de desempenho que permitam medir os resultados de determinada organização.
No processo de definição dos objetivos, é importante que sejam criados critérios quantificáveis (fatia de mercado, faturamento total, número de clientes), que possam depois ser medidos por indicadores, pois assim os resultados possam ser avaliados na etapa de controle.

Definição do Negócio

A definição do negócio de uma organização é a definição de quais produtos e serviços a organização pretende fornecer, para quais mercados e quais clientes (MAXIMIANO, 2005).
Maximiano (2005) afirma que o moderno pensamento estratégico trabalha com a idéia de missão, e afirma que a missão de uma organização define o papel que a organização desempenha para seus clientes e outras partes interessadas.
Bateman (2000) afirma que o primeiro passo no planejamento estratégico é a determinação da visão, que ele chama da razão básica da existência de uma organização.

Formulação das Estratégias

Após analisar o ambiente externo e a disponibilidade de recursos internos, já se tem as informações necessárias para formular as estratégias da organização.
O principal aspecto da definição de estratégias envolve o estabelecimento de cursos de ação para se abordarem essas questões.
Para Maximiano (2005), os planos estratégicos podem possuir diferentes graus de formalidade, abrangência, periodicidade de preparação, e vários outros atributos.
O mesmo autor continua, dizendo que o plano estratégico “define a relação pretendida da organização com seu ambiente, levando em conta suas competências e recursos” (MAXIMIANO, 2005).

Definição de Objetivos e Estratégia

Os objetivos são os resultados que a organização pretende realizar. Nesta etapa, deve- se identificar aonde a empresa quer chegar.
A definição dos objetivos é conseqüência da etapa anterior, já que, de acordo com as condições internas e externas, pode-se definir o caminho que a empresa irá seguir.
A estratégia será delineada a partir da definição destes objetivos, e no curso vamos identificar uma série de estratégias, e sua aplicação para as organizações.