A rentabilidade na atividade rural

Matéria publicada na Revista Lida de Maio de 2006

Entenda as implicações do capital imobilizado em seus resultados financeiros

Pesquisando alguns dados no Agrianual* 2006, mais especificamente na pesquisa de preços de terras (em reais por hectare) realizada durante vários meses do ano, podem ser observadas algumas informações interessantes.

Primeiramente, numa análise de longo prazo, com dados de 1989-2005 para o estado de São Paulo, de 1998-2004 para os Estados Unidos, e mais especificamente para o Mato Grosso do Sul, de 2002-2005, podemos enxergar algumas relações e correlações interessantes. A correlação** entre os preços de terra de lavoura em São Paulo, e na região do Corn Belt americano é de 94,98%, o que demonstra que o comportamento de preço de ambas as regiões sofre influências parecidas. Ou seja, por se tratarem de commodities, a relação pode ser explicada pela variação do preço de venda dos commodities.

Mas o que o preço dos commodities tem a ver com o preço da terra? Em 1960, William Sharpe desenvolveu um modelo de precificação de ativos chamado CAPM***, que é um modelo de precificação de ativos (no caso deste texto, o preço da terra), que leva em consideração a geração de fluxo de caixa (quantos reais aquele ativo gera anualmente), e o nível de risco da operação (risco este sendo a variação do fluxo de caixa, numa análise ano a ano).

Na análise da correlação dos preços de terra agrícola de alta produtividade no Mato Grosso do Sul com o preço médio da soja, de 2002 a 2005, verifica-se um índice de 87,91%, que indica que a variação do preço da terra tem alta relação com a geração de capital em uma propriedade rural. Este índice confirma a utilidade da aplicação do CAPM, e a afirmação de que um ativo só tem valor se gerar renda.

Atualmente há vários termos novos e americanizados, mania de “gringo”, mas falaremos agora do conceito de ROA (Return Over Asset), ou Retorno sobre o Ativo Total. Para calcularmos o ROA de qualquer empresa, enxergando sua propriedade rural como uma organização que visa lucro, divide-se o Lucro Líquido (depois do Imposto de Renda) pelo Ativo Total, onde este último é a soma de todos os ativos da empresa (bens e direitos). E para um produtor rural, qual bem tem a maior participação no Ativo? Isso mesmo, é no Ativo Permanente que é contabilizado o valor do maior patrimônio do proprietário rural, que é a terra.

O objetivo aqui é mostrar a importância da relação risco-retorno para o produtor e implantar a cultura do pensamento empresarial, para a firma rural. Qual é o ROA de sua empresa? Alternativo às atividades mais tradicionais, pecuária extensiva, lavoura de soja, milho, entre outras. Existe a crença de que o arrendamento da terra é uma boa opção para geração de renda (fluxo de caixa positivo), mas se calcularmos uma remuneração líquida (livre de imposto de renda) de 8,5 sacas de soja por hectare, com a saca a um preço de R$ 21,00, são R$ 178,50/ha, que quando se calcula o ROA sobre uma terra de R$ 5.384,50, obtemos o percentual de 3,31% ao ano.

No mercado financeiro, sempre que é tomada uma decisão de investimento na implantação de um novo projeto, é calculado o custo de oportunidade, que é, basicamente, o quanto a empresa poderia remunerar aquele capital, sem risco. No Brasil, o índice mais utilizado para comparar a taxa de retorno é o CDI. Na última reunião do COPOM, os juros anuais foram reduzidos para 15,75% ao ano, e aqueles mesmos R$ 5.384,50 investidos em um CDB que pague, digamos, 90% do CDI, iria gerar uma renda de R$ 610,60 (já livre de 20% de Imposto de Renda na fonte), equivalente a 29 sacas. Esta renda, se comparada com a renda de uma lavoura de soja, é realmente um bom negócio, já que a título de exemplo, de acordo com os dados do Agrianual 2005, uma lavoura de soja que colheu 30 sacas por hectare em 2004 e com preço de venda da soja a R$ 44,10, gerou uma rentabilidade bruta média de R$ 125,00 por hectare, que descontado 15% de Imposto de Renda, é R$ 106,25, calculado sobre somente nosso ativo, a terra de R$ 5.384,50, obtemos o percentual de 1,97% ao ano.

O que todos estes números querem dizer? Comparando com nossa conta de num cenário extremamente positivo obtermos um ROA de 3% ao ano, será que vale a pena manter toda a estrutura de uma lavoura ou pecuária (seus tratores e benfeitorias entram na conta do Ativo Total, piorando sua rentabilidade), com o risco também do clima não ser propenso, ou do câmbio cair, ou do arrendatário não pagar, entre outros problemas já “velhos conhecidos”, para remunerar o capital abaixo do nosso custo de oportunidade? Sua empresa (e o exemplo vale para as rurais ou as urbanas) paga mais de 15,75% ao ano sobre seu Ativo Total?

Olhando sob outra perspectiva, agora para a parte do risco, e considerando que o ativo (terra) é valorizado de acordo com a capacidade deste de gerar fluxo de caixa, qualquer produtor percebe a diferença no lucro líquido quando vende a soja a R$ 44,10 a saca ou quando vende, desolado por não ter fechado um contrato futuro a R$ 38,25 quando teve chance, a míseros R$ 21,00 por saca de 60 kg.

A influência do risco pode ser observada quando analisamos a diferença na variabilidade dos preços de terras de pastagem formada, que subiram cerca de 99% de 2002 a maio de 2004 e caiu 13,53% de maio de 2004 a agosto de 2005, e a variação das terras agrícolas de alta produtividade, no mesmo períodos foi de uma alta de 137% e posterior queda de 13,53%.

Estes dados demonstram uma relação que é real também no mercado financeiro, de que o maior retorno é oriundo de uma maior exposição ao risco, refletindo isso no nível de risco das duas atividades.

Esta noção dos conceitos básicos de Contabilidade e Administração Financeira não deve ser utilizada apenas para, ao final da safra, seu balança ficar correto, mas sim servir como critério de tomada de decisão dentro de sua empresa. Analisar a relação retorno-risco também deve servir como base para um planejamento financeiro, para que o produtor rural não caia na armadilha de buscar pagar o mínimo de imposto possível, e sim gerar um fluxo de caixa não só positivo, mas acima de seu custo de oportunidade, não esquecendo de se considerar os riscos envolvidos.

No próximo artigo discutiremos o outro lado da moeda, que mostra a ótica que o proprietário rural deve ter, compreendendo que a atividade da pecuária, lavoura ou arrendamento, é sua atividade secundária (em termos financeiros), já que a principal fonte de remuneração é (por enquanto) a valorização da terra.

* O Agrianual é o anuário agrícola da FNP. Mais informações em http://www.fnp.com.br.

** A correlação é uma medida estatística que indica a força e a relação entre duas variáveis. 100% indica uma correlação perfeita, e –100% indica uma correlação inversa.

*** CAPM: Capital Asset Pricing Model, ou Modelo de Precificação de Ativos. É um modelo de Finanças Corporativas utilizado para valorar um ativo, de acordo com a capacidade deste de gerar fluxo de caixa positivo, associando este retorno a um nível de risco.

A Bolsa é arriscada?

Esta matéria foi publicada na Revista Lida de Abril de 2006

Você não imagina o risco de ter soja armazenda…

No artigo anterior, foi apresentada uma visão diferente, de como acontece a dinâmica dos preços nos mercados, que exige uma atuação mais arrojada dos produtores rurais, frente à comercialização de seus produtos. Há anos os produtores vêm melhorando suas técnicas de manejo, a qualidade genética do rebanho, ou da lavoura, ou o controle de seus custos produtivos, mas não têm tido a devida preocupação com o aspecto do preço dos produtos. Quem manda no preço de venda da sua produção não é o governo, que pode estocar, comprar ou vender os produtos ou o dólar para tentar melhorar a cotação; o mundo é globalizado, e o valor destes produtos ou desta moeda oscilam única e exclusivamente devido à variação da oferta e demanda real pelo produto, ou no caso do dólar, pela moeda.

Nesta edição é mostrada aos leitores uma ferramenta centenária, que pode ser utilizada para se proteger desta realidade (que é inevitável), melhorando os resultados sistematicamente. Não é uma solução para ganhar dinheiro rápido, mas é algo que irá mudar consideravelmente seus retornos, e o nível de risco do negócio. Esta ferramenta é muito difundida nos Estados Unidos e na Europa, mas no Brasil ainda carrega uma grande carga de preconceito e descaso. Não estamos falando de nenhuma técnica de produção, de redução de custos ou de aumento de produtividade. Estes são requisitos para qualquer produtor rural que queira continuar neste complexo ramo, ano após ano. A ferramenta citada são os contratos futuros agropecuários.

Poderíamos traçar as origens dos contratos futuros até o tempo dos Gregos Antigos, ou aprimorados pelos fenícios, mas a história dos mercados futuros como hoje o conhecemos começou em Chicago, nos Estados Unidos, no começo do século XIX. A cidade dos ventos é localizada na base dos Grandes Lagos, próxima à grandes latifúndios e criatórios de gado do meio-oeste americano, dando à cidade uma vocação para o transporte, distribuição e comercialização da produção agrícola.

Excedentes produtivos, ou a falta destes produtos agrícolas, causava (e causa) flutuações caóticas nos preços. Isso levou ao desenvolvimento de um mercado que permitia produtores, empresas processadoras e também especuladores, comercializar os produtos através de contratos a priori, ou com pagamento adiantado, para remover o risco de mudanças de preço adversas.

Em 1948, foi formada a primeira bolsa de mercados futuros do mundo, a Chicago Board of Trade (CBOT). A comercialização era feita originalmente através de contratos firmados antes da entrega do produto, e o primeiro contrato (de milho), foi escrito em 13 de março de 1851. Em 1865, foram introduzidos os contratos futuros padronizados, também chamados, commodities.

E o que são exatamente commodities? É um termo muito utilizado, mas na maioria das vezes, mesmo quem utiliza o termo desconhece a real natureza ou o significado da palavra inglesa. Commodity é algo que tem um valor, é de qualidade e especificação uniforme, e é produzido em grandes quantidades, por vários produtores diferentes, sendo que os itens produzidos por cada um dos participantes é considerado equivalente. É um contrato, e seus padrões estabelecidos que definem o commodity, e não qualquer qualidade inerente ao produto em si.

Mas como eu, sendo um produtor rural, posso utilizar este conhecimento a meu favor? Para quem não observou ainda, a intenção é proteção de preços. Alguém pode questionar da proteção (ou hedge) de preços, pelo fato de que em alguns anos, existem altas exorbitantes nestes, permitindo ganhos astronômicos. E aqui caímos novamente na nova visão sobre a dinâmica dos preços, e partindo do pressuposto de que não podemos prever os preços (embora diariamente recebemos relatórios falando sobre a alta nos preços), a eliminação sistemática do risco traz um ganho efetivo para o negócio.

Os contratos futuros podem ser utilizados para os produtores rurais para fazer entrega física do produto para a bolsa, embora isso aconteça apenas em 2% dos contratos negociados. A principal vantagem de utilizar os contratos é proteger-se da oscilação. Você pode, por exemplo, fazer um hedge do preço da soja, para proteger-se da variação do preço, antes mesmo de começar o plantio, e se você conhecer bem seus custos produtivos, já sabe de início quanto vai ganhar nesta safra. É desnecessário comentar sobre os benefícios deste tipo de conhecimento.

Vamos exemplificar o uso da ferramenta, de acordo com o caso acima. Um produtor de soja tinha 200 hectares disponíveis para o cultivo da soja, em agosto de 2005. Considerando que seu custo de produção orçado estava em R$29,00 por hectare e sua produtividade média era de 40 sacas por hectare, a previsão era de que, em março de 2006 ele tivesse 8.000 sacas de 60 kg de soja para comercializar. Buscando o preço de venda local na época, este estava em R$ 28,89. No mercado futuro, cotado em dólar na BM&F (Bolsa Mercadoria & Futuros, a bolsa agropecuária do Brasil), o preço da soja para março de 2006 era de U$ 15,00, o dólar era R$ 2,55, fechando um valor final em R$ 38,25. Se o agricultor realizasse a trava da soja, e também do dólar, já que o preço de venda é vinculado ao dólar, ao final de 8 meses, fecharia um lucro operacional de 31,89%. Já se fizesse como outros produtores, e deixasse o preço livre para oscilar, neste exemplo venderia a soja a R$ 20,50, com um prejuízo operacional de 29,31% (vale ainda lembrar das despesas administrativas e salários dos gerentes de escritório). Para este exemplo, o produtor precisaria depositar uma margem de cerca de R$ 45 mil para garantir a operação (esta margem garante que o produtor não será lesado, mesmo se os preços despencarem). Esta margem pode ser, por exemplo, um CDB pré-fixado que renderia em 8 meses cerca de 8,2%, ou R$ 3.700,00.

É desnecessário citar mais exemplos, pois também cada produtor, cada cultura, cada época do ano, tem uma realidade bastante diferente, e é importante que exista uma preocupação com o aspecto essencial da produção agropecuária, a dinâmica dos preços.

O importante é compreender a questão do risco, e como eliminá-lo. Muitos produtores preferem apenas destacar o caso Naji Nahas (que causou uma quebra na bolsa no final dos anos 80), e utilizá-lo como motivo para não aderir aos contratos futuros. Mas a situação atual, e temos uma crise de preços que está para completar 2 anos de vida como prova, não permite mais que amadores continuem no mercado.

Se alguém diz que a bolsa é algo arriscado, provavelmente não faz idéia do risco que está correndo, quando deixa o grão armazenado no silo, ou o gado no pasto, estando livre à oscilação da oferta e demanda. Quem sabe muito disso são os pecuaristas, que mesmo vacinando seu gado corretamente contra a febre aftosa, sabem muito bem o tamanho do tombo em suas margens de lucro nos últimos meses. Os pecuaristas que conhecem os contratos futuros agropecuários, mas não aderiram, devem estar pensando: “Antes eu tivesse fechado uns contratinhos…”, ainda mais quando ficam sabendo de colegas do interior de São Paulo que estão vendendo um gado muitas vezes de menor qualidade, por cerca de R$ 72,00.

Lembre que você tem que sempre observar se não existe uma influência do dólar no preço do seu produto (sim, quase todos sofrem deste “mal”), pois não adiantaria nada, no exemplo citado, você ter travado a soja a U$ 15,00, com o dólar caindo de R$ 2,55 para R$ 2,16.

Para mais informações sobre como fazer um hedge (o termo para a “trava” de preços), consulte uma corretora em seu estado, ou um consultor de mercado, mas lembre de esclarecer para ele que você entende a dinâmica dos preços agropecuários (se não entende, um bom começo é o artigo da última edição da Revista Lida, citado no começo deste texto).

Comprar café e queimar? Nunca mais!

Esta matéria foi publicada na Revista Lida de Março de 2006

Uma nova visão sobre a dinâmica dos preços dos produtos agropecuários

Muito ainda se discute sobre a possibilidade da entrada da cana no cenário da produção estadual. Há discussões nos meios rurais sobre os incentivos do governo, a chegada das usinas no estado, e todos os pontos importantes que devem ser levados em conta quanto à aquisição de uma nova área de cultura, ou uma decisão de mudança de cultivo, e todas as conseqüências decorrentes da decisão.

Entre os aspectos positivos, destaco primeiramente o aumento da demanda de álcool anidro (aditivo da gasolina) para o consumo dos veículos bicombustível, que em Janeiro de 2006 representaram 77,88% dos carros novos vendidos, segundo a Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave). Outro ponto importante é quanto ao incentivo dado pelo Governo Nacional através do Programa Nacional do Biodiesel, que cria uma nova e forte demanda pelo álcool e pelos subprodutos da cana, que podem ser usados como matéria-prima do combustível alternativo.

O que não podemos deixar de alertar é quanto à degradação da terra de cultivo após a implantação da cana, que necessita de altos investimentos, para que não haja um desgaste e esse comprometa a produtividade. Esta diminuição na qualidade da terra é referente não só à plantação de cana-de-açúcar, mas também de qualquer outra cultura que seja implantada no local.

Mas o objetivo deste artigo é abordar outra ótica da instalação das usinas de álcool no cenário agropecuário do Mato Grosso do Sul. Esta nada tem a ver com as estatísticas de produtividade, escolha de melhores cultivares, ou técnicas de plantio, e seus comentários podem ser extrapolados e aproveitados não só na decisão do plantio da cana, mas para a grande maioria dos produtos de origem agropecuária.

Os produtos oriundos da cana-de-açúcar, o álcool anidro, o álcool hidratado e o açúcar têm dinâmicas de preços e demandas diferentes. Atender estes três principais mercados, sem oscilações significativas, exige muito planejamento e uma gestão profissional. Durante séculos isso foi feito pelo governo, mas num processo que durou toda a década de 90, esta responsabilidade foi repassada integralmente ao setor privado. Hoje prevalece o regime de livre mercado, (quase) sem subsídios, e definem-se os preços de açúcar e álcool de acordo com as variações de oferta e demanda, numa relação direta.

Caso semelhante ocorre no valor do dólar comercial, onde o governo tenta, durante períodos de crise, comprar dólares para segurar o preço da moeda. Um exemplo disto pode ser observado se analisarmos o período de julho de 2002, quando o valor do dólar oscilava entre R$ 3,00 e R$ 4,00 e começou um movimento de desvalorização, e então o governo entrou comprado milhares e milhares de dólares buscando manter o preço naqueles níveis. Até que em junho de 2003 a cotação atingiu o patamar de R$ 2,80, onde permaneceu até maio de 2004, quando a moeda retornou ao nível de R$ 3,20. Neste período tivemos novas compras, onde o país praticamente queimou as reservas nacionais (o dólar é o lastro da economia), já que em maio de 2005 o dólar já atingia os níveis de R$ 2,40. De lá para cá tivemos mais uma queda que chegou até R$ 2,20, e no início de janeiro deste ano, mesmo com novas compras do governo, que insiste em queimar nossas reservas, estamos chegando a R$ 2,15, com previsão de atingir R$ 2,00.

Alguns produtores rurais do país ainda não enxergam a insalubridade do governo ao tentar segurar um movimento natural, que depende única e exclusivamente da oferta e demanda dos produtos (no caso o dólar como contrato de compra e venda). Não existe a percepção de que este não é o caminho, já que estas decisões não trazem resultado algum pra economia, exceto a impressão de que o preço está voltando aos patamares anteriores por uma alta de 0,1% em um determinado dia (conhecido no mercado como correção de preços, outro comportamento vinculado à oferta e demanda do produto). Mais complicada é a posição de algumas das corretoras, que utilizam da informação de que o governo aportou 200 milhões de dólares (lembra do 0,1% naquele determinado dia) para segurar o dólar, e o que muitos não sabem é que isto normalmente indica o começo de uma nova baixa.

Quando se fala no produtor rural, este não enxerga a situação do dólar, até porque este deveria poder confiar nas grandes empresas do setor financeiro nacional. É importante que se saiba também que o mesmo tipo de comportamento acontece com o preço de seu commodity**, seja este a cana, o boi gordo, a soja, o milho, o café, entre inúmeros outros.

Este artigo sugere que de nada adianta ter o melhor manejo, a melhor genética, a melhor produtividade, se o preço de venda do produto não paga os custos de produção. A postura normal do produtor é culpar o governo por não segurar o preço da soja, do milho, do arroz, etc.

A idéia é demonstrar que não é uma opção do governo, possa ele aportar R$ 800 mil, ou R$ 400 milhões na compra de estoques, pois quem define o preço é o mercado, mais especificamente, a oferta e a demanda do produto. A não ser na década de 30, quando o governo getulista tinha reservas o suficiente para estocar, e depois queimar café, esta prática não funciona mais. O mundo hoje é globalizado, e dependemos muito mais da economia externa, da oferta e demanda mundial dos produtos, do que dependíamos na era Vargas.

Ou você nunca se perguntou por que a Petrobrás, perto de produzir tudo o que o país consome de petróleo, sempre vende seus produtos de acordo com o preço do barril de petróleo mundial, mesmo com um custo de produção ínfimo?

No próximo artigo você verá como se proteger nesta nova realidade, através de uma ferramenta que existe há mais de cem anos, os contratos futuros agropecuários.

O Biodiesel sob uma ótica econômica

Esta matéria foi publica na Revista Lida – Edição de Fevereiro de 2006.

Com pouco menos de 7 anos para a obrigatoriedade da utilização de 5% de biodiesel na mistura do diesel comercializado no país, conforme Lei nº 11.097/05 (Programa Nacional de Biodiesel), aprovada pelo atual presidente, em 13 de janeiro de 2005. Mas é evidente que existem ainda grandes passos para que o Brasil esteja preparado para atender a demanda pelo produto.

Estima-se que a área plantada necessária para suprir ao percentual de 2% de mistura do biodiesel ao diesel é de 1,5 milhões de hectares, ou 1% dos 150 milhões de hectares plantados e disponíveis para agricultura no país. Este número exclui as regiões ocupadas por pastagens e florestas. Com uma conta simples explico que, para atender a demanda de 5% precisaríamos de cerca de 3,75 milhões de hectares, ou 2,5% da área de cultivo do Brasil.

O Senador Gilberto Goellner (PFL/MT) apresentou um projeto de lei no Senado, que autorizaria as indústrias a vender e utilizar óleo vegetal como combustível para máquinas e equipamentos da agricultura. A iniciativa permitiria a experimentação desta nova tecnologia, incluindo alteração no armazenamento, transporte e também adequação aos motores das máquinas. Desta forma, criam-se parâmetros da utilização em larga escala, além do barateamento dos custos agrícolas.

As regras do projeto de lei permitem a produção do biodiesel a partir de diferentes oleaginosas e rotas tecnológicas, possibilita também a participação do agronegócio e da agricultura familiar. Este apelo social da geração de emprego e renda para famílias carentes, tanto na produção das culturas, como no beneficiamento, transformação e distribuição, dá viabilidade ao projeto. Favorece não só a aceitação da classe política, como também o interesse de conduzir projetos na área, como por exemplo, a iniciativa do governo do Mato Grosso do Sul com a Petrobrás de instalar uma destilaria para a produção do biodiesel no estado.

Um dos aspectos que da criação de oportunidade para a utilização de diferentes insumos na produção da nova fonte de energia, que estava sendo esquecido, é a sua estrutura de custos. As estimativas do IEA (International Energy Agency) são de que a escala de produção do biodiesel, ou seja, o volume de produção da unidade fabril influenciaria em até 25% o custo final do produto. Ainda mais caro que a escala, é o custo da matéria-prima, que pode representar diferenças de até 50% no custo final ao consumidor.

Os projetos atuais em estudo, são de usinas distribuídas pelo país, o que levaria a uma grande mudança na matriz energética do Brasil, e isto teria um impacto negativo no custo final do produto. Quanto à utilização de vários componentes diferentes, faltam ainda estudos no país sobre quais seriam as culturas mais propícias para o biodiesel no Brasil, tanto em termos de custo e produtividade, quanto do balanço energético (que é a capacidade da oleaginosa de gerar mais energia do que é gasto para produzi-la).

Pensando nisto, a Dedini Indústrias de Base, principal produtora brasileira de unidades industriais para a produção do biocombustível, contratou pesquisas de várias entidades públicas de todo o país, para realizar o estudo: “Biodiesel: Análise de Custos de Tributos nas Cinco Regiões do Brasil”. Mesmo a pesquisa sendo realizada por instituições públicas, teve conclusões que divergiram de políticas do governo federal.

A primeira parte levantou quais as matérias-primas mais baratas para a produção do biodiesel nos 5 cantos do Brasil. A conclusão é que o biodiesel mais barato do país seria proporcionado pelo caroço de algodão, produzido na região Nordeste, no valor de R$ 0,712 o litro. Na região Centro-Oeste a soja, por sua alta produtividade e produção, no valor de R$ 0,883/l. Já o biodiesel de mamona, que é defendido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva sempre que fala sobre o combustível, enfrentaria dois entraves: a grande procura do seu óleo no mercado internacional e a falta de destinação dos resíduos.

A segunda parte da pesquisa avaliou a tributação sobre o biodiesel, deu algumas sugestões de políticas de incentivo para o biodiesel, como uma alíquota única de PIS/Cofins e o tratamento fiscal diferenciado, desonerando a cadeia produtiva do combustível. Um bom exemplo seria zerar o imposto para o biodiesel misturado ao diesel de petróleo, como acontece hoje com o álcool, misturado em 25% na gasolina, que não paga ICMS.

Como conclusão da pesquisa, o relatório recomenda a criação de sistemas de aquisição e preços mínimos que sejam compatíveis com os custos de produção do combustível, para que possa estimular os investimentos necessários para a produção nos volumes requeridos para o atendimento do Programa Nacional de Biodiesel.

Os 7 anos da obrigatoriedade podem parecer distantes, mas existe um longo caminho a ser delineado até lá. Aqui estão incluídos muitos aspectos de base, com pesquisas científicas sobre cadeias produtivas, potencial agrícola e de utilização de resíduos, produtividade e adequação climática. Outra característica a ressaltar é a necessidade de uma política clara do governo referente à utilização de diferentes componentes na produção do biodiesel, pelo peso desta característica no custo final do produto. A influência da escala de produção no preço final é outro aspecto importante, além da questão tributária, que é atualmente o principal incentivo econômico que o Governo pode fazer pelo biodiesel no Brasil, podendo este ser o próximo passo.

Motivação

É a arte de levar pessoas a fazerem o que você quer que elas façam por vontade delas.

Motivar alguém e conectá-lo com algo dentro dele, que o impelirá a agir.

A motivação começa em você. É impossível motivar alguém quando você não está motivado.

Como estar constantemente motivado:

· Ter autoconfiança ou desenvolvê-la;

· Procurar cada vez mais aumentar seu nível de competência;

· Estudar todas as alternativas para obter sucesso no trabalho;

· Não Deixar-se contaminar por idéias negativas;

· Traçar metas a serem atingidas;

· Pensar positivamente;

· Quando tiver uma tarefa difícil a realizar, procure todas as saídas;

· Estar constantemente informado;

· Rever constantemente seu programa de trabalho.

Relações Humanas

É a arte de relacionar-se com as pessoas.

Relações Humanas eficientes requerem que façamos tal esforço no sentido de aprender mais a respeito de nós mesmos, a fim de adquirirmos a habilidade de viver em paz e em harmonia com os outros.

Fatores pessoais que geram problemas no relacionamento entre as pessoas:

· Falta de diálogo;

· Falta de objetivos comuns;

· Falta de desafios;

· Falta de motivação;

· Inveja;

· Adotar postura de vítima;

· Ciúme;

· Sentimento negativista;

· Falta de conhecimentos;

· Falta de humildade;

· Falta de saber ouvir as pessoas;

· Colocar-se como o dono da verdade, o todo poderoso, aquele que “quebra mas não verga”;

· Não aceitar as pessoas como elas são, mas da maneira como nós gostaríamos que elas fossem.

Chaves para o sucesso no relacionamento com os outros:

· Ouvir as pessoas;

· Fazer as pessoas se sentirem importantes;

· Prestar atenção a todos num grupo;

· Tenha consideração pelas pessoas;

· Criticar habilmente o ato, não a pessoa;

· Agradecer às pessoas;

· Cause uma boa impressão;

· Concorde com as pessoas;

· Aprenda a ser tolerante;

· Elogie as pessoas.

Administração do Tempo

Segue algumas dicas rápidas de administração do tempo:

· Escreva seus objetivos e metas;

· Prepare uma lista diária do que fazer;

· Estabeleça prioridades;

· Qual a melhor aplicação (utilização) do meu tempo agora;

· Após a seleção mexa com cada papel só uma vez;

· Faça-o agora, não adie nada.

Eficácia e Eficiência

Eficácia – é a capacidade de fazer com que as coisas certas sejam feitas.

Eficiência – é a capacidade de fazer as coisas da maneira correta.

Quatro realidades na vida de um gerente resumem problemas de eficácia:

· Dificuldade em administrar o tempo;

· O fluxo dos acontecimentos mantém o gerente envolvido com tarefas que não são prioritárias;

· A curta visão sobre os objetivos gerais da empresa;

· O perigo de cair, com todas as pessoas, no comodismo.

Como ser eficiente

· Organização pessoal;

· Trabalhe em apenas uma atividade de cada vez;

· Lista de tarefas que devem ser feitas estabelecendo prioridades;

· Faça agora. Não deixe para depois;

· O adiamento do que se tem para fazer impede o sucesso.

Comunicação

Barreiras à eficácia de uma boa comunicação entre as pessoas:

· Dificuldades de Expressão;

· Timidez/Medo de expressar suas opiniões;

· Falta de carisma;

· Falar algo para a pessoa errada;

· Escolha inadequada do momento ou do local;

· Suposições (“achismos”);

· Excesso de intermediários;

· Ouvir o que esperamos ouvir;

· Desconsiderar informações que entrem em conflito com o que sabemos;

· Efeito das emoções.

Algumas dicas para superar as barreiras no processo de comunicação

· Ouvir a opinião das pessoas;

· Usar comunicação direta;

· Ter sensibilidade para o mundo do receptor;

· Usar linguagem direta e simples;

· Julgar o conteúdo e não a forma de expressão;

· Prestar atenção;

· Ser flexível;

· Ouvir a mensagem completa;

· Resistir às distorções;

· Procurar entender o ponto de vista do outro;

· Deixar de lado preconceitos e preferências.

Liderança

Líder: é todo aquele que, desejando ou não, consegue que os outros participem por vontade própria, de suas atitudes ou idéias.

Agora avalie e dê atenção especial aos seguintes pontos:

a) Você está interessado em lidar com pessoas?

b) Para ser bem sucedido no trato com as pessoas, você precisa primeiro dar-se bem com elas.

e) Tenha como objetivo atrair os outros.

4.1 Personalidade do Líder

Todo e qualquer líder, seja ele atuando em variados tipos de situações, sejam profissionais ou sociais, tem um conjunto de características e qualidades que devem ser analisadas. Chamamos a esse conjunto de habilidades de personalidade de líder.

a) Inspirar confiança às pessoas.

b) Ter persistência na luta pelo objetivo.

c) Habilidade para comunicar.

d) Disposição para ouvir.

e) Interesse nas pessoas.

f) Compreensão das pessoas.

g) Objetividade.

h) Franqueza.

4.2 Os Métodos de Liderança

Liderança Autocrática

O líder deseja ser obedecido por seu grupo. É ele que determina a política administrativa e considera que a responsabilidade da decisão deve estar afeta a uma pessoa somente, ele próprio.

Liderança Democrática

O líder procura ouvir as idéias e sugestões do grupo consultando e conversando com os seus subordinados. Os componentes do grupo são encorajados no sentido de estabelecer a política administrativa. A atribuição do chefe é mais a de um moderador de opiniões.

Liderança Livre

O líder é mais ou menos uma seção de informações. Ele faz o seu papel dentro da atividade do grupo. Está sempre disposto a fornecer informações e dar explicações. Exerce um controle quase nulo.